Neuroestimuladores na Coluna: quando recorrer ao procedimento que modula a dor?

Neuroestimuladores na Coluna: quando recorrer ao procedimento?

Quando a dor se torna contínua e crônica, e nenhum tratamento trouxe alívio, os neuroestimuladores na coluna ajudam a modular a dor.

Quando a dor relacionada às mais diversas enfermidades da coluna se torna crônica, intensa e contínua, e quando medidas clínicas e medicamentos específicos para dor crônica não trazem o alívio adequado, pode haver a necessidade de tratamento cirúrgico em que se realiza a colocação de um neuroestimulador para a obtenção de um controle mais adequado e satisfatório de sua dor.

Esse procedimento consiste em posicionar eletrodos epidurais em um ponto específico da superfície dorsal da medula espinhal da coluna (dorsal ou cervical). Estes eletrodos  são conectados, então, a um gerador de impulsos elétricos que bloqueiam ou alteram os sinais de dor enviados pelas terminações nervosas e que trafegam pela medula espinhal até estruturas específicas do cérebro.

Os neuroestimuladores, quando bem indicados, implantados e ajustados corretamente, podem reduzir alguns tipos específicos de dor crônica, contribuindo na redução deste sintoma e proporcionando um alívio ao sofrimento do paciente. É importante salientar que nenhum neuroestimulador proporcionará alívio total e completo da dor. O procedimento é considerado bem sucedido quando os sintomas dolorosos do paciente forem reduzidos ao redor de 40% a 50%, segundo dados da literatura científica atual, o que muitas vezes proporciona uma melhora substancial na qualidade de vida. 

1 Como é feito o procedimento?
2 Para que casos os neuroestimuladores são indicados?
3 Quais são os maiores riscos?
4 Quais são os principais cuidados pré-operatórios?
5 Como é a recuperação?
6 Vivendo com o neuroestimulador

1 Como é realizado o procedimento?

O procedimento pode ser realizado sob anestesia geral ou local, dependendo da preferência do cirurgião. Numa primeira etapa, um eletrodo temporário é conectado a um gerador externo. E, após um período de testes de alguns dias, o paciente é avaliado para se observar sua resposta clínica ao procedimento.

Considera-se uma resposta positiva quando o paciente obtém uma diminuição de, no mínimo, 50% de intensidade da dor inicial após a ativação e ajuste do gerador. Caso a resposta seja negativa, ou seja, quando o paciente não apresenta diminuição da dor, o eletrodo é removido definitivamente.

Nas respostas positivas, o paciente passa por uma cirurgia para colocação de eletrodos e gerador definitivos. Para essa finalidade, o cirurgião fará duas incisões na região de interesse na coluna.

É importante salientar que, mesmo nos casos de ajuste otimizado do gerador e do posicionamento correto do eletrodo, a dor quase nunca vai desaparecer completamente. Na maioria dos casos, portanto, pode se obter uma redução muito satisfatória da dor, o que contribui em muitos casos a uma melhora substancial da qualidade de vida nestes pacientes.

A colocação de neuroestimuladores na coluna contribuem para uma maior qualidade de vida e com conforto do paciente. A vantagem dessa técnica é que tanto os eletrodos quanto o gerador podem ser removidos definitivamente se porventura ocorrer uma ausência de resposta ou nos casos de uma redução tardia do efeito desejado de redução da dor.

No vídeo acima, temos um exemplo de quais são os componentes e como funciona um neuroestimulador.

2 Para que casos os neuroestimuladores são indicados?

O implante de neuroestimuladores na coluna não é indicado para todos os pacientes ou para aliviar dores tratáveis por outros meios. Esse procedimento é indicado para pacientes que sentem dor crônica e que não obtiveram sucesso com tratamentos convencionais e com medicamentos.

De maneira geral, esse procedimento é indicado para pacientes que sentem:

  • dor após falha de um tratamento cirúrgico (síndrome pós-laminectomia);
  • dor radicular severa ou radiculopatia severa resultante da síndrome pós-laminectomia;
  • síndrome da dor regional complexa;
  • dores secundárias devido a múltiplas cirurgias de coluna;
  • doença degenerativa discal ou hérnia de disco refratária ao tratamento conservador e intervenções cirúrgicas;
  • dor mielopática segmentar;
  • neuralgia pós-herpética ou polineuropatia periférica refratária ao tratamento conservador;
  • fibrose epidural;
  • aracnoidite.

Mesmo com o uso de neuroestimuladores, é comum que o paciente permaneça fazendo uso de analgésicos contínuos a critério do médico.

As contraindicações ao implante do neuroestimulador são:

  • distúrbios de coagulação sanguínea;
  • infecção local ou sistêmica;
  • inabilidade do paciente de entender ou comunicar adequadamente as reações individuais durante o período de teste;
  • canal vertebral estreito, marcapasso cardíaco ou desfibriladores cardíacos;
  • alergias a metal;
  • doenças psíquicas graves;

3 Quais são os maiores riscos?

Como a implantação dos neuroestimuladores é um procedimento cirúrgico de pequeno porte, os riscos para o paciente são relativamente baixos.

Os maiores riscos do procedimento estão relacionados à migração ou deslocamento do eletrodo de seu posicionamento inicial ideal. E isso pode afetar completamente a resposta clínica do paciente quando ao método.

Outras complicações possíveis são infecções, quebra do eletrodo, dores nas cicatrizes e o acúmulo de líquido no local de implante do gerador. Ainda que extremamente raras, um dos riscos é a chance de paralisia relacionada ao posicionamento do eletrodo medular.

Caso o eletrodo se desloque ou o gerador falhe por quaisquer motivos, o paciente notará imediatamente pela piora súbita da dor. Esse mal funcionamento deve ser relatado ao médico, que, por sua vez, deverá encaminhar o paciente para uma revisão cirúrgica, onde se ajustará o problema.

Os pacientes podem, ainda, precisar de ajustes periódicos na calibragem do gerador e esse ajuste deve ser solicitado ao médico sem hesitação. Alguns dos modelos mais modernos de neuroestimuladores possuem unidades de controle individual que permitem uma maior liberdade de ajuste ao paciente.

4 Quais são os principais cuidados pré-operatórios?

Antes de realizar a cirurgia, o médico precisará realizar uma avaliação completa e detalhada do histórico médico do paciente. Pode, eventualmente, ser necessária a avaliação por parte de um especialista em dor para a correta definição dos sintomas dolorosos do paciente e do máximo alcance terapêutico medicamentoso em cada caso.

Caso nenhuma das avaliações e medidas terapêuticas previamente adotadas proporcionem ao paciente uma melhora satisfatória da dor, o paciente poderá necessitar uma consultoria com um neurocirurgião para definir se há indicação para o implante de eletrodos e do neuroestimulador.

5 Como é a recuperação?

Por se tratar de um procedimento de pequeno porte, o paciente recebe alta no primeiro dia após a cirurgia. Os cuidados principais são com a limpeza do local e evitar fazer movimentos bruscos na primeira semana. É importante ter o telefone do cirurgião em mãos para o caso de dúvidas.

Os pacientes com dor crônica devem continuar tomando seus analgésicos regularmente até a revisão ambulatorial. Nesses casos, a redução do medicamento acontece gradualmente, na medida em que ele apresenta melhora no período pós-operatório.

Nesse período, é importante que o paciente realize outras modalidades de tratamento complementares de acordo com a gravidade de cada caso. Visitas periódicas ao médico são fundamentais para que se possa fazer ajustes específicos no gerador para um melhor resultado.

6 Vivendo com o neuroestimulador

O uso do aparelho não traz grandes restrições para o dia a dia do paciente, mas deve-se tomar alguns cuidados. O ideal é evitar portas detectoras de metal, bem como as máquinas de ressonância magnética.

Como os neuroestimuladores apresentam um gerador de impulsos elétricos tal qual os existentes em um marca-passo cardíaco, a maior parte dos modelos mais antigos não são compatíveis com ressonância nuclear magnética.

O médico e o fabricante do modelo deve sempre ser consultados com relação a compatibilidade do implante com esse método de imagem. Modelos mais recentes de eletrodos medulares e de geradores são agora compatíveis com aparelhos de ressonância magnética e já estão disponíveis no Brasil.

Alguns modelos específicos de neuroestimuladores disponibilizam ao paciente uma unidade de controle individual, o que permite ao paciente aumentar ou diminuir a intensidade dos estímulos gerados pelo aparelho e portanto um ajuste fino mais adequado com as necessidades de alívio da dor no dia a dia.

No vídeo acima, está o exemplo de um paciente que teve sucesso com a colocação de neuroestimuladores.

A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO CORRETO

Não substitua a consulta médica presencial

Por mais que seja tentador encontrar as respostas para sua dor na internet, alertamos que nenhuma informação deste portal, e de qualquer outro, substitui o diagnóstico feito por um médico. As dores nas costas podem não ser sintomas isolados, mas fazer parte de uma série de sintomas que apenas um profissional especializado conseguirá entender e diagnosticar.

Lembre-se: sua coluna não se comunica sozinha.
home-drfabio

DR. FABIO DOS SANTOS

CREMERS 17845

Médico Neurocirurgião, mestre em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com foco em Cirurgia de Coluna Vertebral e Tratamentos Minimamente Invasivos na Coluna… Saiba mais.

COMPARTILHE ESTE POST

LEIA TAMBÉM: