Cirurgia na coluna: tudo o que você precisa saber sobre o procedimento

Tudo o que você precisa saber sobre cirurgia na coluna

Reunimos o que há de mais importante a saber sobre a cirurgia na coluna. Desde as perguntas frequentes, principais tipos, riscos e pontos de atenção.

Uma doença crônica da coluna que não for tratada de maneira adequada poderá repercutir de forma permanente na vida do paciente. Pode impedir de forma definitiva diversas atividades esportivas e lazer, gerar perda de dias de trabalho e até impossibilitar o indivíduo a exercer de forma plena sua atividade profissional.

Em determinadas situações, pode levar o indivíduo a piorar significativamente o prognóstico de sua enfermidade por aumentar seu risco de desenvolver dores crônicas, de difícil tratamento medicamentoso ou a desenvolver um déficit funcional parcial permanente, irreversível parcial ou total da motricidade dos membros.

A critério do médico responsável e sempre que possível e adequado, o tratamento inicial das enfermidades da coluna deve iniciar com medidas de tratamento conservador.

Entre elas, estão o uso regular de analgésicos específicos, fisioterapia, hidroterapia, acupuntura, RPG, pilates, etc, bem como o acompanhamento médico regular e continuado de diversas especialidades.

O médico responsável deverá ser sempre informado sobre o progresso e a resposta clínica individual a cada uma das modalidades de tratamento propostas para os devidos ajustes.

Pacientes que se recusam a realizar a totalidade das terapias propostas ou as realizam de forma irregular podem prejudicar sua evolução clínica e, portanto, precisam ser esclarecidos e alertados sobre a importância de sua assiduidade e total colaboração na definição do alcance de seus tratamentos conservadores.

O paciente deve realizar sempre que possível uma atividade física regular  ajustada à sua condição física e sua condição de saúde. Navegue pelo menu abaixo:


1 Perguntas e respostas sobre cirurgia na coluna
1.1 Passar por uma cirurgia na coluna vai resolver parcial ou completamente a dor que eu sinto na coluna?

1.2 A cirurgia é recomendada somente em último caso?
1.3 Tenho medo da cirurgia. O que fazer?
1.4 Como se avalia o risco cirúrgico do meu caso?
2 Quais são os tipos de cirurgia na coluna?
2.1 Procedimentos minimamente invasivos
2.2 Procedimento invasivos abertos
3 A cirurgia é indicada em que situações?
3.1 Descompressão
3.2 Estabilização
3.3 Correção de deformidades
3.4 Tumores
3.5 Doenças Metabólicas
3.6 Doenças Infecciosas
3.7 Cada caso deve ser avaliado de forma individual
4 Riscos da cirurgia na coluna
4.1 Riscos de saúde relacionados à saúde prévia do paciente
4.2 Riscos relacionados e causados pela doença da coluna
4.3 Riscos relacionados ao procedimento cirúrgico
5 Quais são os principais cuidados pré-operatórios?
6 Quais são os principais cuidados pós-operatórios?
7.1 Cuidados específicos em pós-operatórios de procedimentos cirúrgicos da coluna
7.1.1 Cirurgia na coluna cervical
7.1.2 Cirurgia na coluna torácica
7.1.3 Cirurgia na coluna lombar
7.2 Cuidados com a cicatriz
7.3 Tratamentos adicionais após o procedimento cirúrgico

Importante

O paciente deverá sempre realizar avaliação cardiológica e, em alguns casos específicos, uma avaliação ortopédica, antes de iniciar qualquer atividade física.

O sedentarismo pode agravar ou gerar o aparecimento de várias síndromes dolorosas da coluna e, portanto, um condicionamento físico mínimo (cardiovascular) com trabalhos físicos de reforço de todos os grupos musculares  é fundamental, independente do paciente optar por realizar um tratamento cirúrgico ou não.

Ainda, com relação a atividade física, é essencial lembrar a importância da supervisão de educadores físicos com experiência em treinamento de pessoas com problemas da coluna para que não se corra risco de adquirir nova dor, agravar a dor já sentida ou evitar novas lesões em treinos sem uma supervisão ou orientação profissional.

O paciente deve ter bons hábitos alimentares, evitando sobrepeso ou baixo peso excessivo, deve evitar excessos ou abster-se de tabagismo e álcool. Em casos especiais, a orientação de um nutrologista ou de um nutricionista pode proporcionar ajustes adequados às necessidades de cada paciente.

Devem igualmente estar atentos a problemas posturais e ergonômicos tanto no trabalho quanto em seu domicílio, já que esses podem agravar ou desencadear dores e problemas na coluna.

Os pacientes já submetidos à cirurgia redutora de peso (bariátrica) devem seguir estritamente as orientações médicas e nutricionais relacionadas à sua condição de saúde, já que o abandono desses tratamentos pode gerar debilidade física e dores variadas, incluindo aquelas da coluna vertebral.

1 Perguntas e respostas sobre cirurgia na coluna

É importante, ainda, tecer comentários sobre algumas concepções ou dúvidas comumente externadas em consultas sobre a cirurgia na coluna:

1.1 O tratamento cirúrgico específico e adequadamente executado vai trazer a resolução total completa ou permanente da dor na coluna?

O conceito é inadequado por várias razões. A dor na coluna muitas vezes apresenta causas diversas e, portanto, o paciente deve ser esclarecido no sentido de entender qual o objetivo do procedimento proposto, ou seja, entender corretamente o que pode mudar e o que não vai mudar após a cirurgia.

Podem coexistir em um mesmo paciente dores de diversas origens que não sejam relacionadas somente à doença da coluna e que deverão ser igualmente avaliadas e tratadas para que o paciente obtenha o maior alívio e conforto possível à sua condição de saúde.

O paciente faz um papel importantíssimo na sua plena recuperação. Por isso, também deve manter uma atitude mental positiva, buscando se interessar pelo processo terapêutico, esclarecendo sempre todas as suas dúvidas, comparecendo regularmente às consultas, realizando todas as terapias e utilizando os medicamentos necessários e recomendados pelo médico.

O indivíduo, ainda, deve buscar uma alimentação adequada e balanceada com o objetivo de favorecer a cicatrização de seus procedimentos, praticar atividades físicas de acordo com sua condição de saúde e, por fim, ao entender a dimensão de seu quadro físico, aceitar e trabalhar de forma construtiva juntamente com o médico na busca do retorno às suas atividades cotidianas e ao trabalho no período mais breve e adequado e não desenvolver o famoso “medo do amanhã”.

1.2 Vou realizar Cirurgia da Coluna somente em último caso?

É importante entender que a cirurgia não é o “último recurso” para o tratamento e sim um dos vários recursos de terapia disponíveis no cuidado dos pacientes.

O mais correto seria afirmar que o tratamento cirúrgico deve ser realizado no tempo certo e na oportunidade mais adequada possível. O paciente precisa entender que muitas doenças da coluna vertebral não podem ser tratadas somente com medicamentos, diversas terapias físicas ou exercícios, por melhor que seja a intenção do profissional.

Existem, inclusive, casos em que o paciente precisará de intervenção cirúrgica emergencial de realização imediata, como na presença de doenças da coluna que causem déficit neurológico de aparecimento e rápida progressão (paralisias de membros, dificuldade de marcha, alteração de sensibilidade, etc.), em alguns tipos de fratura e em casos específicos de tumor ou infecção.

1.3 Tenho medo da cirurgia. O que fazer?

O medo de procedimentos cirúrgicos é comum e natural, pode  resultar muitas vezes de uma não compreensão adequada de sua enfermidade da coluna ou por dúvidas não esclarecidas anteriormente.

Em casos extremos pode levar alguns pacientes a buscar diversos colegas de múltiplas especialidades médicas e não médicas até encontrar aqueles que confirmem suas crenças individuais de que o tratamento conservador é o único necessário em todos os tipos de enfermidade da coluna vertebral.

Existem ainda  situações em que pessoas relacionadas ao paciente compartilham do mesmo sentimento. Isso deve sempre ser igualmente esclarecido de forma objetiva para que todos os envolvidos possam entender a natureza da enfermidade, objetivos do tratamento cirúrgico e possíveis efeitos na vida do paciente.

Esse tipo de comportamento por parte do paciente pode atrasar a realização de procedimentos cirúrgicos realmente relevantes à sua condição de saúde com sérias consequências.

Em todos os casos, após um diálogo aberto e franco em que os riscos relacionados a decisão de não realizar o tratamento cirúrgico fiquem igualmente claros, a decisão final do paciente deve ser respeitada.

É papel do profissional nesse contexto discutir de forma clara com o paciente sobre os seus medos e preocupações em relação ao procedimento cirúrgico.

1.4 Como se avalia o risco cirúrgico do meu caso?

Muitos pacientes entendem o conceito geral de que ao se realizar uma cirurgia, esta possui riscos específicos, mas desconhecem o conceito igualmente importante de que não tratar ou retardar o tratamento de uma enfermidade crônica da coluna pode trazer riscos também.

Atualmente, a avaliação do risco cirúrgico de uma maneira geral é definida pela avaliação da enfermidade da coluna e de suas eventuais manifestações clínicas com exames complementares relevantes.

A avaliação do risco cirúrgico deve ainda incluir aspectos relativos à saúde geral do paciente com a identificação dos eventuais problemas adicionais de saúde presentes por meio de exames complementares.

Um parecer cardiológico ou de outros especialistas relevantes ao caso são de suma importância e auxiliam a equipe cirúrgica recomendando eventuais ajustes necessários no cuidado do paciente antes, durante e após a realização do procedimento proposto.

No melhor interesse do paciente, procedimentos cirúrgicos da coluna complexos e de grande porte podem necessitar de internação em unidade de terapia intensiva, cabe ao médico antecipar esse cenário e planejar isto de maneira organizada.

O esclarecimento antecipado ao paciente e seus familiares antes de um procedimento cirúrgico, reduz muito a ansiedade natural. Se um parecer de um clínico responsável contra-indicar o procedimento, isto será imediatamente discutido com o paciente e seus familiares.

Em todos os casos, o papel do profissional da especialidade é esclarecer e oferecer a informação adequada ao paciente de forma que uma visão mais clara sobre a sua enfermidade traga a este indivíduo elementos adequados para uma tomada de decisão sobre tratamento cirúrgico menos emocional e mais apoiada em informação clara e objetiva sobre a sua condição de saúde.

Uma vez que o tratamento conservador não trouxer alívio adequado e satisfatório das condições de sua enfermidade e a evolução clínica, bem como os exames complementares assim indicarem, a cirurgia na coluna poderá ser considerada.

2 Quais são os tipos de cirurgia na coluna?

Existem basicamente dois grupos principais de procedimentos cirúrgicos utilizados no tratamento das doenças da coluna vertebral.

2.1 Procedimentos minimamente invasivos

É uma das modalidades mais recentes de procedimentos na coluna, sendo caracterizada por causar um menor impacto sobre a musculatura e a sobre a estrutura óssea durante a  intervenção. Normalmente, esses procedimentos não envolvem grandes incisões.

Dependendo da natureza do caso, podem ou não incluir a necessidade específica de próteses ou implantes. Para realização, precisam de apoio específico de raio-x intra-operatório, microscópio cirúrgico e/ou sistema de vídeo para sua correta execução.

É importante salientar uma particularidade desse contexto: nem todos os pacientes são candidatos a esse tipo de procedimento. Dependendo da natureza de cada caso, pode não ser adequado para a necessidade de tratamento.

Embora sejam uma opção muito interessante de tratamento cirúrgico, algumas das técnicas minimamente invasivas listadas a seguir não são autorizadas por todos os  planos de saúde.

Nesse caso, quando a situação clínica permitir, o paciente e o médico deverão discutir conjuntamente a modificação da estratégia cirúrgica inicial por outra alternativa de tratamento de forma a resolver o impasse com a concordância de todos.

Estes são alguns dos exemplos de procedimentos minimamente invasivos:

  • Biópsia da Coluna percutânea por agulha;
  • Bloqueios facetários, radiculares, peridurais, foraminais, etc.;
  • Denervação facetária por radiofrequência;
  • Cifoplastia;
  • Vertebroplastia;
  • Microdiscectomia;
  • Discectomia percutânea;
  • Discectomia endoscópica;
  • Foraminotomia minimamente invasiva;
  • Artrodese minimamente invasiva posterior com e sem instrumentação;
  • Artrodese minimamente invasiva via anterior com e sem instrumentação.

2.2 Procedimento invasivos abertos

Esses são os procedimentos cirúrgicos tradicionais que envolvem intervenções anatômicas, ou seja, a cirurgia tradicional. Entre as principais  técnicas, se incluem:

  • Biópsia cirúrgica convencional da coluna;
  • Cirurgias de artrodese da coluna cervical, dorsal e lombar (com ou sem instrumentação – via anterior e posterior);
  • Tratamento cirúrgico de tumores da coluna vertebral visando ressecção total ou parcial com ou sem instrumentação;
  • Tratamento cirúrgico de deformidades da coluna vertebral (Escoliose do Adulto/ Infantil, Hipercifose cervical, dorsal, lombar, Pós-traumática e Pós-cirurgia prévia);
  • Tratamento cirúrgico de fraturas complexas da coluna cervical, dorsal e lombo-sacra com instabilidade biomecânica com objetivo simultâneo de descompressão ampla de estruturas nervosas e instrumentação;
  • Tratamento cirúrgico de processos infecciosos diversos da coluna vertebral.

3 A cirurgia é indicada em que situações?

A decisão sobre o tratamento cirúrgico deve ser baseada em avaliação adequada por meio de histórico e exame físico detalhado, além de exames complementares de imagem, exames laboratoriais e neurofisiológicos.

Os casos mais comuns em que a cirurgia é indicada envolvem:

  • Déficit neurológico progressivo relacionado a enfermidades da coluna (falta de força nos membros, sensibilidade, dificuldade de marcha, alteração da micção, evacuação e impotência sexual);
  • Dor persistente sem qualquer alívio com as medidas tradicionais de tratamento conservador.

Além disto, os tratamentos cirúrgicos da coluna podem ser indicados por necessidades ou objetivos específicos de tratamento. Alguns tópicos abaixo listados merecem alguns comentários adicionais:

3.1 Descompressão

Quando estruturas do sistema nervoso (medula espinhal e/ou nervos espinhais) são comprometidas por doenças e trazem sintomas específicos tais como dor, perda de força, dificuldade para caminhar ou alterações da sensibilidade. Nesses casos, incluem-se tumores, escoliose, hérnia de disco, osteomielites da coluna e fraturas da coluna vertebral.

3.2 Estabilização

Quando a integridade estrutural da coluna for comprometida, gerando dor intratável, déficit neurológico, instabilidade biomecânica e deformidade progressiva. Os exemplos de doenças que podem necessitar esta abordagem são as  fraturas, tumores, espondilolistese e instabilidade pós-cirurgia prévia.

3.3 Correção de deformidades

Nesse caso, realinhamento vertebral pode ser necessário quando as deformidades trazem dor, déficit neurológico progressivo ou quando resultam em alterações de natureza funcional incapacitantes e intoleráveis ao paciente. As deformidades podem acometer um único nível ou diversos níveis na coluna. Os exemplos mais comuns de deformidades são a espondilolistese, fraturas, tumores e alguns tipos específicos de escoliose e de cifose.

3.4 Tumores

Nesse contexto, o tratamento deverá se basear na natureza da lesão (benigno x maligno). O tipo histológico deverá ser previamente obtido  por meio de biópsia cirúrgica da lesão.

A partir disso poderá se estabelecer as melhores estratégias de tratamento baseadas nos protocolos de tratamento e em conformidade com o oncologista responsável ou designado ao caso.

Isso deve igualmente ser discutido de forma clara e objetiva com o paciente e seus familiares. Com relação à definição da necessidade do tratamento cirúrgico nesses casos, devemos ainda levar em consideração:

  • a idade e estado geral do paciente;
  • localização da lesão;
  • presença de instabilidade biomecânica e/ou deformidades da coluna vertebral;
  • dor gerada pela lesão ou compressão de estruturas nervosas (nervos e/ou medula) e as possibilidades de tratamento sequencial, adicional ou alternativo (farmacológico, imunoterápico, quimioterápico, radioterápico convencional ou por radiocirurgia).

Além do acompanhamento do médico oncologista, médicos de outras especialidades podem ser igualmente importantes dentro do objetivo de ofertar a melhor estratégia de cuidado nesses casos de natureza complexa.

3.5 Doenças Metabólicas

Doenças como a osteopenia e a osteoporose alteram a resistência mecânica da coluna pela diminuição e alteração da estrutura normal do osso tornando-a mais frágil e sujeita à fraturas.

A avaliação do paciente nos casos em que ocorrem fraturas da coluna associadas a essas enfermidades pode definir tanto medidas de tratamento mais simples, como o uso de coletes até, eventualmente, exigir a realização de tratamentos cirúrgicos em complexidade crescente com técnicas específicas com ou sem implantes, visando sempre manter o paciente no maior grau de funcionalidade e conforto possível.

Em cada caso é sempre importante avaliar e tratar adequadamente de forma concomitante a osteopenia ou a osteoporose como medida de redução de seu risco futuro de ocorrência de novas fraturas.

3.6 Doenças Infecciosas

Nos casos suspeitos de infecção da coluna vertebral, o tratamento deverá sempre que possível ser orientado por exames complementares e, quando a condição clínica exigir, por meio de biópsia cirúrgica da coluna com coleta e cultura de material específico do local afetado, visando identificar o agente infeccioso causador da enfermidade.

Essa etapa de diagnóstico inicial direciona para o uso de medicamentos específicos ao contexto do tratamento e nos casos mais simples pode ser o único tratamento necessário.

Alguns processos infecciosos podem eventualmente comprometer de forma extensa a integridade estrutural da coluna. Nessa situação, o paciente poderá necessitar, inclusive, de tratamento cirúrgico visando a descompressão, correção de deformidades e/ou a estabilização biomecânica da coluna.

Nos casos de infecção em presença de implantes previamente colocados na coluna, a avaliação individual de cada caso definirá sobre a necessidade ou não de retirada do implante.

Nem sempre isto será necessário para a resolução do caso. Eventualmente, a retirada precoce de implantes pode até agravar ou aumentar desnecessariamente a dor do paciente.

Isso deverá ser sempre discutido com a equipe médica responsável pelo paciente (médico cirurgião, infectologista e/ou clínico geral), buscando a melhor solução.

3.7 Cada caso deve ser avaliado de forma individual

Como podemos notar, em cada paciente as necessidades de tratamento cirúrgico devem considerar os diversos aspectos acima referidos. Cada caso deve ser avaliado de forma individual.

As expectativas do paciente e os objetivos de tratamento cirúrgico proposto devem ser corretamente alinhados para que não se criem frustrações desnecessárias sobre possíveis resultados ao contexto de sua situação de saúde.

É importante ressaltar ao paciente a necessidade de acompanhamento médico continuado e regular após a alta hospitalar pelo médico que realizou o tratamento cirúrgico. Assim, as orientações sobre terapias adicionais e ajustes de medicamentos podem ser realizados melhorando a satisfação final do paciente em cada caso.

O médico deverá ser sempre informado imediatamente pelo paciente sobre qualquer alteração de seu estado clínico ou em casos de dúvida pelos meios disponibilizados para o seu contato.

Marque sua consulta pelos meios de contato aqui disponibilizados. Se você já possui indicação de tratamento cirúrgico por outro profissional e ainda possui dúvidas, nos colocamos à sua disposição para  esclarecimentos adicionais sobre seu tratamento.

4 Riscos da cirurgia na coluna

Quando o assunto é cirurgia na coluna, existem diversos preconceitos no imaginário popular que podem prejudicar o paciente. Influenciados por opiniões familiares e crenças pessoais, algumas pessoas optam por passar boa parte da vida convivendo com dores crônicas.

Além disso, o medo da cirurgia pode trazer perda de função em membros, queda de produtividade no trabalho e na vida pessoal, depressão, perda de autoestima e gastos financeiros elevados com tratamentos alternativos que podem não trazer alívio.

É verdade que toda e qualquer cirurgia sempre envolverá riscos. Mas é verdade, também, que os riscos de um procedimento na coluna dependem de cada paciente, seu histórico médico e a natureza da sua doença vertebral.

Para definir o risco cirúrgico do procedimento, é necessário que o paciente passe por exames complementares que darão um diagnóstico de riscos individualizado a cada caso. É comum que os exames sejam de natureza laboratorial e cardiológica bem como se pode ser necessária uma avaliação médica específica com um cardiologista no período pré-operatório.

Como nenhum paciente é igual a outro, é correto afirmar que cada pessoa tem um risco de procedimento diferente. Por isso, muitas vezes, é necessário que o paciente passe inclusive pela avaliação de outros profissionais médicos, especializados em diferentes áreas, para definir os riscos específicos de seu caso bem como os cuidados pré e pós-operatórios mais adequados.

Os riscos da cirurgia na coluna devem ser sempre individualizados, levando em consideração o histórico do paciente. Mas existem alguns fatores que podem influenciar no cálculo de riscos:

  • Histórico prévio de doença cardíaca;
  • Doença do aparelho circulatório;
  • Doença Pulmonar;
  • Doença Oncológica (prévia ou atual);
  • Doenças metabólicas ósseas e endocrinológicas, como osteopenia ou osteoporose, diabetes, hipotireoidismo, hiperparatireoidismo, hipertireoidismo;
  • Doenças neurológicas, como epilepsia, AVC e polineuropatias;
  • Doenças ou medicamentos que afetem a coagulação sanguínea;
  • Insuficiência renal ou histórico de infecções urinárias de repetição;
  • Doenças do fígado;
  • Alergias ou alterações imunológicas prévias (relacionadas à doença oncológica, genética ou HIV);
  • Doenças infecciosas, como hepatite;
  • Histórico de uso de álcool, fumo ou drogas.

Além disso, algumas doenças psiquiátricas e neurológicas, como o Alzheimer ou outra forma de demência, podem afetar a capacidade de colaboração e compreensão do paciente durante o período pós-operatório. Isso também influencia ou pode gerar riscos adicionais a determinados tipos de procedimentos cirúrgicos.

4.1 Riscos de saúde relacionados à saúde prévia do paciente

Existem fatores relacionados à saúde prévia do paciente que também são importantes para entender os riscos da cirurgia na coluna. Eles podem demandar ajustes no planejamento cirúrgico e anestésico e podem, até mesmo, impedir o paciente de realizar o procedimento.

Por isso é importante que o médico responsável seja sempre informado sobre toda e qualquer doença existente ou medicamento de uso contínuo.

Além disso, determinados procedimentos podem não ser adequados em todas as faixas etárias. Pacientes com debilidade extrema, certamente, necessitarão de ajustes em seus planos terapêuticos.

4.2 Riscos relacionados e causados pela doença da coluna

Esse é um dos aspectos que gera maior dúvida, pois o paciente acredita que permanecer com a doença e sem um tratamento definitivo não traz riscos. A verdade é que isso pode ser completamente errado e inadequado.

Muitos pacientes preferem passar a vida inteira com dor do que recorrer à cirurgia por  medo ou receio, mas cabe ao médico o esclarecimento correto da necessidade do paciente para que ele tome sua decisão.

Em casos específicos, a doença da coluna pode já ter causado ao paciente muitas alterações clínicas e funcionais que somente serão resolvidas ou amenizadas com o procedimento. Portanto, o paciente deve ser informado pelo médico e estar ciente de todos os problemas causados por sua enfermidade para que possa tomar sua melhor decisão.

4.3 Riscos relacionados ao procedimento cirúrgico

Em cada contexto clínico existem particularidades inerentes à técnica cirúrgica indicada que precisam ser levadas em conta.

Por isso, todo o planejamento cirúrgico precisa ser detalhado em seus pormenores e discutido com o médico para que não haja dúvidas para o paciente e seus familiares. Nesse momento, devem ser esclarecidos os eventuais riscos específicos relacionados ao tratamento recomendado.

Algo importante a ser mencionado: em todos os  casos, as particularidades de cada paciente podem determinar possíveis cenários de evolução clínica após um determinado tratamento cirúrgico. E, portanto, em cirurgia da coluna não existem garantias de resultados específicos.

É fundamental nesse momento, alinhar as expectativas do paciente com a realidade de suas condições clínicas.

5 Quais são os principais cuidados pré-operatórios?

Os cuidados que o paciente deve tomar antes e depois da cirurgia na coluna são importantes para garantir que o procedimento acontecerá tranquilamente e que os resultados serão alcançados em sua totalidade.

Elencamos abaixo as principais características desses dois momentos para que você possa passar pelo procedimento sem problemas. Os principais cuidados pré-operatórios são:

  • Os paciente devem realizar todos os exames pré-operatórios: laboratoriais, cardiológicos, exames de imagem, neurofisiológicos e etc;
    No dia da cirurgia, precisa levar todos os seus exames e o termo de consentimento previamente assinado;
  • Comparecer ao hospital no dia da cirurgia com familiares ou um responsável;
  • Fazer jejum de 8 horas para alimentos e líquidos antes da operação;
  • Na véspera do procedimento, por recomendação médica específica, deve realizar um banho corporal completo com sabonete que contenha PVPI ou produtos com função similar (ex. clorexidina) com objetivo de reduzir a flora bacteriana da pele e portanto reduzir o risco de infecção cirúrgica;
  • Levar por escrito, no dia da cirurgia, uma lista com todos os medicamentos de uso habitual, alergias e reações a medicamentos (na lista, deve-se incluir, além de alergias confirmadas, as possíveis suspeitas de alergia que o paciente tenha);
  • Pacientes que fazem uso de anticoagulantes devem sempre informar o cirurgião e suspender a medicação de 24h até 72h antes do procedimento. Isso é necessário para evitar risco de sangramento excessivo ou incontrolável durante a cirurgia e no período pós-operatório;
  • Pacientes em uso de medicamentos que alteram a coagulação sanguínea podem necessitar suspender o uso por períodos de até 7 dias antes da cirurgia. O médico sempre deve ser informado antes do procedimento.
  • Parar de fumar por 2 meses antes da cirurgia e, por pelo menos, 6 meses após a cirurgia. Isso reduz o risco de complicações infecciosas, problemas na cicatrização e na consolidação de enxertos ósseos.
  • Interromper o uso de álcool porque este pode aumentar o risco de infecções pós-cirúrgicas.
  • Pacientes que consomem álcool cronicamente e de forma excessiva apresentam risco aumentado de complicações e podem apresentar síndrome de abstinência (delírio, convulsões e alucinações). O médico sempre deverá ser informado sobre este hábito social.
  • Pacientes com histórico de uso recente de drogas ilícitas (cocaína, maconha, crack, etc.) devem informar à equipe cirúrgica com antecedência para que medidas adicionais ou ajustes dos cuidados de pré-operatório, trans-operatório e pós-operatório podem ser adotadas sempre no melhor interesse do paciente.

6 Quais são os principais cuidados pós-operatórios?

Tomar os cuidados pós-operatórios necessários melhoram as chances de recuperação do paciente. Após a alta hospitalar, é preciso seguir as orientações do cirurgião e prestar atenção nos pontos listados abaixo:

  • Ter uma dieta balanceada e com uma fonte adequada de proteínas, frutas e verduras. É indicado ingerir entre 1,5 a 2 litros de água por dia para manter a hidratação;
  • É imprescindível abster-se ou reduzir ao máximo o uso de álcool e o hábito do fumo. Nesse contexto, o álcool pode aumentar inclusive o risco de infecção cirúrgica;
  • Mesmo sentindo dor, o ideal é que o paciente não fique na mesma posição o tempo inteiro e nem fique imóvel. O uso adequado de analgésicos reduz as dores desse período contribuindo com a melhora da qualidade de vida neste período;
  • É comum que o pós-operatório traga a dificuldade para dormir, o que pode durar por alguns dias ou semanas. Nesse caso, pode ser necessária a utilização de medicamentos específicos para a insônia;
  • Pacientes que usam medicamentos de uso contínuo devem seguir as instruções do(s)  médico(s) responsável(is) pelo tratamento(s) para retomar o uso. Revisões com a equipe médica após a cirurgia são muito importantes em todos os casos;
  • Por via de regra, o paciente só pode voltar a dirigir entre 4 a 6 semanas após a cirurgia, mas apenas trajetos curtos. É sempre importante discutir isto com o médico responsável pelo seu tratamento;
  • Atividades físicas recomendadas são caminhadas diárias e curtas. Devem ser realizadas considerando-se sempre a tolerância e condição física do paciente e a natureza da enfermidade do paciente e o tipo de procedimento realizado.

6.1 Cuidados específicos em pós-operatórios de procedimentos cirúrgicos da coluna

Embora os cuidados pós-operatórios sejam um pouco diferentes dependendo da localização do procedimento na coluna, a fisioterapia e outros tipos de terapia podem ser recomendados sempre que a equipe médica definir isso como uma estratégia adequada visando contribuir para a recuperação do paciente.

É importante ressaltar que, mesmo que o paciente realize procedimentos minimamente invasivos, nos quais a recuperação em tese pode ser mais rápida, cuidados adicionais podem ser igualmente importantes e necessários a plena recuperação do paciente.

6.1.1 Cirurgia na coluna cervical

Cuidar com a movimentação do pescoço, buscando subir escadas lentamente e não fazer movimentos bruscos. Evitar levantar objetos pesados e não dirigir durante as duas primeiras semanas. Dependendo da natureza do procedimento realizado, o médico pode recomendar o uso de um colar cervical.

6.1.2 Cirurgia na coluna torácica

É indicado fazer pequenas caminhadas, sempre evitando rampas, escadas e pisos irregulares. Evitar ficar sentado por mais de uma hora e não dirigir durante as primeiras 4 a 6 semanas após o procedimento. Pode ser recomendado o uso de colete ortopédico em casos específicos a critério do médico responsável.

6.1.3 Cirurgia na coluna lombar

Pequenas caminhadas, evitando rampas, escadas e piso irregular, são indicadas a esses pacientes sempre a critério do médico responsável. O uso de apoio lombar específico ao sentar, mesmo no banco do carro pode proporcionar conforto adicional. O ideal é que o paciente não fique mais de uma hora na mesma posição, seja ela qual for, e evite dirigir durante as primeiras 4 a 6 semanas após o procedimento. Pode ser recomendado o uso de colete ortopédico em casos específicos, a critério do médico responsável.

6.2 Cuidados com a cicatriz

Para que não haja nenhum problema com a cicatrização, é indicado banho diário com higiene adequada da cicatriz após a retirada do curativo. Até a retirada dos pontos, o médico pode eventualmente recomendar o uso de sabonete com PVPI ou Clorexidina degermante para higiene corporal.

A cicatriz pode necessitar cuidados específicos nesse período conforme orientação do seu médico. Se houver alteração de cor na cicatriz cirúrgica ou se for observado a eliminação de secreção, o médico deverá ser consultado imediatamente para orientações específicas.

6.3 Tratamentos adicionais após a cirurgia na coluna

É importante salientar que, na grande maioria dos casos, o tratamento não se encerra na cirurgia.

O médico responsável pelo procedimento deve neste momento, a seu critério,  orientar, esclarecer e recomendar ao paciente os tratamentos adicionais e específicos a cada caso.

Podem existir a necessidade de tratamentos adicionais ou complementares tais como medicamentos específicos, fisioterapia, acupuntura, pilates, treinos de reforço muscular e recondicionamento físico sempre alinhados aos objetivos da estratégia de proporcionar em todos os casos a melhor recuperação e a qualidade de vida possível a cada paciente.

O paciente deve sempre consultar periodicamente e regularmente o médico responsável pelo procedimento e demais profissionais envolvidos no seu cuidado para receber as orientações e recomendações mais adequadas em cada etapa de seu atendimento e acompanhamento.

As medicações recomendadas pelo médico podem necessitar de ajustes adicionais nesse período visando sempre o melhor conforto e o melhor nível de analgesia possível em cada caso. Isso pode ser facilmente resolvido durante as consultas médicas periódicas.

Sempre que ocorrerem dúvidas ou sempre que surgirem modificações do quadro clínico, o paciente deve contatar e consultar imediatamente com o médico responsável pelo procedimento para receber orientações adicionais.

A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO CORRETO

Não substitua a consulta médica presencial

Por mais que seja tentador encontrar as respostas para sua dor na internet, alertamos que nenhuma informação deste portal, e de qualquer outro, substitui o diagnóstico feito por um médico. As dores nas costas podem não ser sintomas isolados, mas fazer parte de uma série de sintomas que apenas um profissional especializado conseguirá entender e diagnosticar.

Lembre-se: sua coluna não se comunica sozinha.
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DR. FABIO DOS SANTOS

CREMERS 17845

Médico Neurocirurgião, mestre em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com foco em Cirurgia de Coluna Vertebral e Tratamentos Minimamente Invasivos na Coluna… Saiba mais.

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