Tumores na coluna: conheça os principais tipos, os sintomas e como funciona o tratamento

Tumores na coluna: os principais tipos, sintomas e como funciona o tratamento

Os tumores na coluna se desenvolvem dentro ou em torno das vértebras, causando compressão nos tecidos e alterando as estruturas ósseas.

Os tumores na coluna, genericamente falando, se formam quando células anormais do corpo se proliferam de maneira desorganizada. Nesse processo, elas formam um agrupamento de células (tumores)  dentro de um determinado órgão ou estrutura anatômica (nervos, medula e vértebras).

Os tumores da coluna também podem ser primários e secundários.

Os tumores primários tem origem própria  na coluna, nervos ou medula. Estes tumores são mais raros. Eles representam somente 4,2% das neoplasias da coluna e, desse total, somente 6% representam tumores malignos.

Os tumores secundários (metástases) são aqueles em que acometem a coluna vertebral e demais estruturas porém, sua origem se dá a partir de neoplasias malignas localizadas primariamente em outros órgãos.

Os tumores secundários, entretanto, são 40 vezes mais frequentes que os primários.

1 Quais são os tipos de tumores na coluna?
1.1 Os tumores malignos na coluna vertebral
2 Quais são os sinais e sintomas mais comuns dos tumores?
3 Quem pode desenvolver um tumor na coluna?
4 Como é feito o diagnóstico?
5 Quais são os tratamentos mais indicados?
5.1 Modalidades principais de tratamento e principais indicações cirúrgicas

1 Quais são os tipos de tumores na coluna?

Os tumores benignos são aqueles causados por uma proliferação anormal de células em determinada estrutura anatômica ou órgão (vértebras, nervos ou medula). Mesmo sendo o tumores de crescimento mais lento, o  seu comportamento biológico é de tendência à recorrência e, portanto, podem comprometer a estrutura da coluna.

Já os tumores malignos, sejam primários ou metastáticos, criam uma massa de crescimento acelerado que se infiltra e destrói rapidamente a estrutura óssea da coluna e eventualmente as demais estruturas anatômicas ao seu redor (como nervos, dura-máter, medula espinhal, etc.) e órgãos vizinhos. Os tumores malignos têm comportamento biológico agressivo e requerem diagnóstico e tratamento imediatos.

Listamos abaixo alguns exemplos de ocorrência nos dois grupos:

TUMORES BENIGNOS

TUMORES MALIGNOS

osteomas osteóides

metástases

osteoblastomas

mieloma múltiplo

cistos ósseos aneurismáticos (ABC)

osteossarcoma

tumores de células gigantes

cordoma

granuloma eosinofílico (EG)

condrossarcoma

osteocondromas

sarcoma de ewing

1.1 Os tumores malignos na coluna vertebral

Os tumores malignos mais frequentes na coluna vertebral são as metástases. Eles se originam em outras partes do corpo e acabam migrando para a coluna vertebral pela disseminação a partir de um tumor maligno existente.

A maneira mais comum de esse trânsito se dar é pela circulação sanguínea (arterial ou venosa), disseminação por tecidos próximos e pela via linfática.

Em 70% dos casos, os tumores metastáticos da coluna comprometem a região torácica e tóraco-lombar. Em 22% dos casos, comprometem a coluna lombo-sacra e apenas 8% costumam comprometer a coluna cervical.

É importante ressaltar que, em até 12,5% dos casos, não é possível  identificar a origem de um tumor metastático na coluna.

2 Quais são os sinais e sintomas mais comuns dos tumores?

O primeiro sinal de alerta para tumores na coluna são dores noturnas e sem relação com atividades físicas. O paciente também pode apresentar deformidade progressiva da coluna e sintomas gerais, como febre, fadiga, perda do apetite e perda de peso excessiva.

O comprometimento das estruturas nervosas da coluna vertebral (nervos espinhais e/ou medula) podem ocasionar déficits na força muscular e na sensibilidade. Por isso, o paciente pode apresentar dificuldade de marcha, na micção e evacuação.

Pode se suspeitar da existência de uma fratura patológica da coluna quando a dor piora ao realizar determinados movimentos (flexão, extensão ou rotação), ao tentar permanecer em pé (ortostatismo) ou é desencadeada por tosse e espirro.

A palpação direta de uma vértebra infiltrada por tumor pode ser muito dolorosa e não tolerada pelo paciente.

No vídeo acima, temos uma breve explicação sobre o que causa os tumores primários e secundários na coluna e quais são os principais sintomas da doença.

3 Quem pode desenvolver um tumor na coluna?

Como o aparecimento de tumores primários na coluna tem ocorrência rara, pacientes portadores de câncer se tornam o grupo de maior risco e apresentam uma maior probabilidade de lesões dessa natureza.

Os tipos de câncer que mais frequentemente geram metástases para a coluna são: mama, próstata, pulmão, trato gastrointestinal, rim, melanoma e tireóide.

4 Como é feito o diagnóstico?

É importante ressaltar que a avaliação do paciente deve incluir o histórico detalhado de seus sintomas e do exame físico e neurológico completo.

Além disso, os exames habitualmente solicitados são laboratoriais, de imagem (radiografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada e angiografias seletivas) e de medicina nuclear.

Os exames neurofisiológicos podem ser necessários para quantificar ou confirmar lesões de estruturas nervosas associadas ao tumor.

Caso os exames complementares mencionados acima confirmem a presença de uma lesão suspeita na coluna vertebral, o paciente deverá realizar uma biópsia cirúrgica de lesão sob anestesia para identificar o tipo específico de tumor.

O resultado da biópsia direciona na maioria dos casos para as modalidades de tratamento mais adequadas a cada situação.

O parecer ou acompanhamento oncológico e de demais especialidades necessárias a cada situação clínica, permite em todos os casos o planejamento das estratégias combinadas e necessárias ao melhor cuidado do paciente.

5 Quais são os tratamentos mais indicados?

Todo tratamento indicado a tumores na coluna dependerá da avaliação das condições clínicas e neurológicas do paciente. Os objetivos gerais de todos os tratamentos, independente do tipo específico de tumor, são os seguintes:

  • Alívio da dor;
  • Reversão ou estabilização do quadro neurológico associado à lesão;
  • Restabelecer a estabilidade biomecânica da coluna nos casos indicados;
  • Corrigir deformidades da coluna que sejam decorrentes de determinados tipos de tumores;
  • Cura da doença oncológica em casos muito específicos e selecionados de tumor. Nesse caso, usa-se a ressecção cirúrgica completa e total da lesão com margem óssea;
  • Melhorar a qualidade de vida em todos os casos em que isso for possível.

Uma vez que o diagnóstico específico do tumor da coluna foi obtido (benigno X maligno X metástases), o passo seguinte inclui o estadiamento adequado do tumor e a análise do estado geral do paciente.

No vídeo acima, temos um exemplo de tratamento paliativo para metástases na coluna.

Para isso, utilizam-se de diversas escalas padronizadas que permitem categorizar o paciente segundo os seguintes parâmetros:

  • Grau de destruição da(s) vértebra(s) afetada(s);
  • Estado geral do paciente;
  • Comprometimento neurológico associado à lesão;
  • Origem do tumor primário (nos casos de metástases);
  • Número de vértebras comprometidas;
  • Presença de metástases adicionais em outros ossos;
  • Presença de metástases em outros órgãos.

A categorização permite definir e racionalizar as estratégias de cuidado específicas para cada paciente.

5.1 Modalidades principais de tratamento e principais indicações cirúrgicas

Dentre as modalidades principais de tratamento relacionados a este tipo de enfermidade podemos citar as principais:

  • Terapia Hormonal;
  • Quimioterapia;
  • Uso de corticosteróides;
  • Radioterapia;
  • Radiocirurgia;
  • Tratamento cirúrgico.

Cabe lembrar que nem todas as modalidades serão úteis no manejo e tratamento de todos os pacientes.

Existe um número imenso de combinações de tratamento possíveis para cada tipo específico de lesão e definidas conjuntamente com o paciente, seus familiares e equipe médica responsável (cirurgião de coluna, oncologista, clínico geral e demais especialidades relacionadas).

As principais indicações de tratamento cirúrgico da coluna em pacientes portadores de tumor são as seguintes:

  • Dor intratável;
  • Déficit neurológico progressivo;
  • Deformidade ou instabilidade biomecânica da coluna;
  • Doença oncológica potencialmente “curável” pelo tratamento cirúrgico;
  • Tumor não responsivo à radioterapia ;
  • Falha de tratamento do tumor por radioterapia ou quimioterapia;
  • Necessidade específica de biópsia cirúrgica convencional da coluna vertebral.

A técnica cirúrgica mais adequada dependerá especificamente, ainda, da localização anatômica da lesão (Coluna Cervical, Dorsal ou Lombo-Sacra).

O planejamento do tipo de técnica cirúrgica pode variar desde uma biópsia da coluna, até procedimentos em complexidade crescente, sequenciais ou não, minimamente invasivos (sempre que possível) e convencionais.

Devido à natureza complexa destes casos, uma consulta médica e avaliação de todos os exames complementares permite  atingir a necessidade individual de informação e esclarecimentos específicos de cada paciente.

Se você possui uma indicação de tratamento cirúrgico para tumores na coluna, esclareça suas dúvidas com sua equipe médica. Nos colocamos à disposição para a avaliação de seu caso. Então, em caso de dúvidas, não hesite em consultar conosco.

A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO CORRETO

Não substitua a consulta médica presencial

Por mais que seja tentador encontrar as respostas para sua dor na internet, alertamos que nenhuma informação deste portal, e de qualquer outro, substitui o diagnóstico feito por um médico. As dores nas costas podem não ser sintomas isolados, mas fazer parte de uma série de sintomas que apenas um profissional especializado conseguirá entender e diagnosticar.

Lembre-se: sua coluna não se comunica sozinha.
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DR. FABIO DOS SANTOS

CREMERS 17845

Médico Neurocirurgião, mestre em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com foco em Cirurgia de Coluna Vertebral e Tratamentos Minimamente Invasivos na Coluna… Saiba mais.

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